Hoje não sinto
Hoje não sinto,
Estou apenas com água nos olhos,
E ela vai correndo a minha cara.
Não sinto o coração,
Só sei que ainda oiço e vejo,
O que me dá ideias de como sou.
Procuro tudo conseguir,
Seguir em frente,
Mas não sinto o chão.
Vejo que estou preso aqui,
Vejos as minhas mãos,
Agarradas a meu peito.
Certamente devo ter tido dor,
E parece que foi grande e intensa,
Pois consigo ver que ainda sangro.
Não tenho controlo,
Não vou de encontro a nada,
Nem nada vem ao meu encontro.
Ainda pensei que houvesse,
Um rasgo de luz neste ridiculo estado,
Mas entendo que é cousa impossivel.
Não há médicos nem gente,
Não há hospitais ou lugar algum,
Que me possa curar.
Passam dias em frente ao espelho,
E hoje vejo alguém,
Mas agora já nem me reconheço.
Não sei bem se sou eu,
Embora algo me diga que sim,
E é então que algo acontece.
Ouço uma mulher a gritar e a correr,
Acho que ela corre para me alcançar,
Por mais que a oiça, não a vejo.
Há uma imagem colada na ponta do espelho,
Sei que sou eu e que pareço feliz,
Mas acho que foi à muito tempo atrás.
Estou acompanhado,
E algo me diz que esta mulher,
É a mesma que corre e que gritas escada a cima.
Espero que sejas tu, Mãe!!!
